Em votação a jato, a Câmara aprovou
nesta quarta-feira (11/08) o texto-base da proposta de emenda à Constituição
(PEC) com uma nova reforma eleitoral.
A principal mudança traz de volta as
coligações entre partidos, extintas em 2017, nas eleições para deputados e
vereadores.
O “distritão”, que até então era o mote
da proposta, foi derrotado após um acordo com os partidos de oposição.
Se a mudança for confirmada pelo Senado,
as eleições municipais de 2020 terão sido as únicas realizadas sem as
coligações proporcionais.
A reforma aprovada pela Câmara atende
aos interesses dos pequenos partidos e deverá frear a queda na fragmentação do
sistema político ao permitir que o País continue tendo um grande número de
siglas com representação no Congresso.
Sob a relatoria da deputada Renata Abreu
(Podemos-SP), a proposta entrou na pauta da Câmara de forma repentina, por
decisão do presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL).
Foi aprovada em
primeiro turno por um placar de 339 votos a 123.
Depois desta votação, os deputados
passaram a apreciar destaques ao texto, excluindo ou mantendo partes separadas.
O “distritão” foi rejeitado por 423
votos a 35.
Já a volta das coligações proporcionais
teve o apoio de 333 deputados – houve 149 votos contrários.
A PEC permite a retomada das coligações
para eleições proporcionais já a partir do ano que vem, quando serão eleitos
deputados estaduais e federais, mas, para ter validade, a reforma precisa ser
promulgada até outubro.
Até agora, a disputa de 2020 foi a primeira,
e única, na qual os vereadores não puderam concorrer por meio de coligações.
Hoje, a Casa também deve votar a
proposta da federação de partidos, segundo a qual legendas pequenas e com fraco
desempenho eleitoral podem se juntar para escapar da cláusula de barreira.
A reforma ainda terá de ser votada em
segundo turno na Câmara antes de seguir para o Senado.
Como se trata de uma emenda
constitucional, a PEC precisa ter no mínimo 308 votos na Câmara e 49 no Senado,
em duas votações em cada Casa.
No modelo de coligação, a quantidade de
votos de cada um dos candidatos de uma mesma aliança entre partidos é somada e
dividida pelo quociente eleitoral.
Trata-se da relação entre o número de
votos válidos e o de vagas.
O resultado é o total de vagas daquela coligação e
os mais votados dentro do grupo são eleitos.
Essa união não precisa ser replicada em
âmbito federal, estadual ou municipal.
O fim das coligações prejudica os
partidos pequenos, uma vez que as legendas muitas vezes não conseguem indicar,
sozinhas, o número máximo de candidatos para os cargos proporcionais num
determinado Estado.
Neste caso, com menos gente fazendo
campanha, o “bolo” de votos tende a ser menor, resultando em menos vagas para
esses partidos.
“MAL
MENOR”.
“Optamos pelo mal menor, que entendemos que é
o retorno das coligações”, afirmou nesta quarta-feira o líder da
Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ).
O acordo para remover o “distritão” –
que já foi barrado pela Câmara em outras duas ocasiões, em 2015 e 2017 – partiu
de deputados do PT, segundo apurou o Estadão.
“É menos ruim para o País a volta da
coligação do que o ‘distritão’, que é um golpe na nossa democracia”,
disse o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP).
Lira interrompeu a votação de uma medida
provisória sobre manutenção de empregos para colocar a PEC em votação, após se
reunir com líderes da base e com Renata Abreu.
A mudança na pauta do dia, de última
hora, provocou protestos no plenário.
O presidente da Câmara se justificou,
sob o argumento de que estava usando a mesma celeridade adotada na análise da
PEC do voto impresso, rejeitada na Câmara na noite desta terça-feira, dia 10.
O requerimento para acelerar a votação
foi aprovado no começo da noite com um quorum menor do que o necessário para
uma PEC, o que abriu espaço para a negociação que derrotou o “distritão”.
“Esta Casa já tem restrição de representação
popular, mesmo com o voto proporcional. Se nós olharmos aqui, veremos que a
maioria é homem, a maioria é branca, mas ainda assim conseguimos, com o
proporcional, trazer negros, negras, mulheres, indígenas”, afirmou a
presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR).
A deputada observou que, se o
“distritão” passasse, não haveria essa representação.
(Por Estadão)
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