A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20/03) o projeto de lei que acaba com a saída temporária de detentos para visitar parentes e amigos, a chamada "saidinha".
O texto aprovado pela Câmara prevê que
os presos saiam apenas para fazer cursos profissionalizantes ou para cursar o
ensino médio ou superior.
O estudo deve ser na mesma comarca onde
o detento cumpre pena.
Nesses casos, o preso poderá sair todos
os dias e durante o tempo necessário para assistir às aulas até terminar o
curso.
A continuidade desse estudo, no entanto,
está condicionada ao bom aproveitamento do detento.
Se ele não tiver um bom desempenho, a
medida poderá ser cancelada.
Aprovado por 311 votos favoráveis e 98
contrários, o projeto segue agora para sanção presidencial.
Até o momento, o governo de Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) não se manifestou oficialmente se vetará ou aprovará o
texto, que já passou no Senado.
O presidente tem 15 dias úteis para
tomar sua decisão.
Caso isso não ocorra, o projeto volta
para o Senado e caberá ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, promulgar a lei
pela chamada sanção tácita.
MAS
O QUE MUDA A PARTIR DA APROVAÇÃO DESSE NOVO TEXTO?
Pela lei atual, condenados cumprindo o
regime semiaberto podem sair da prisão cinco vezes ao ano por até sete dias
corridos para visitar a família, estudar e participar de atividades de
ressocialização.
O novo texto impede que presos
condenados por crimes hediondos como homicídio, latrocínio e sequestro,
usufruam do benefício.
O projeto aprovado no Congresso ainda
estende a proibição a condenados por crimes com violência ou grave ameaça.
Em entrevista à BBC News Brasil na
segunda-feira (19/03), o autor do projeto de lei, de 2011, o deputado Pedro Paulo
(PSD-RJ), afirma que o novo texto desvirtua da proposta original.
"Eu não concordo com esse texto. O
projeto piorou muito. Acho que a gente vai acabar com a saída temporária que é
usada como um mecanismo de ressocialização e de oportunidade para o apenado que
vai voltar para casa", diz o deputado.
Pedro Paulo argumenta que qualquer preso
"só não volta para casa se morrer na prisão porque não temos pena de
morte".
E argumenta que a saidinha deve ser
adotada para que ele volte a viver aos poucos em sociedade.
"A saidinha (tem que ser
observada) sob esse aspecto da ressocialização ao ambiente comunitário, à sua
família, à sociedade que ele vai conviver quando terminar a pena. Por isso é um
erro o projeto do jeito que está", diz.
(BBC Brasil)
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